04 Junho 2012

Respiro felicidade

Deixem-me aproveitar estes momentos antes do pânico dos exames. Foi um domingo maravilhoso.

02 Junho 2012

Eles dobram por ti

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.”

John Donne

30 Maio 2012

28 Maio 2012

Analepse

Domingo, 29 de Abril de 2012

O vazio atinge-me como se fosse um balde cheio. Cheio de vidros estilhaçados. Sinto falta de sentir falta de escrever. Perdi a inspiração dentro de mim e depois perdi-me. Sei que a culpa não foi tua. A falta de amor não deve ser desculpa para uma vida sem destino. O cansaço vence-me a cada dia. Nem tenho força para pôr vírgulas. Só faço frases curtas. Como se só agora estivesse a aprender a escrever. Como se só agora estivesse a aprender a viver. Não tenho tempo para respirar fundo. Desperdiço as horas de lazer em locais disformes. Tenho tanta fome. Tenho tanta sede. Insaciável. Tornei-me insaciável. Tenho saudades de devorar livros, de passar os dias a passear na rua, de não ligar o computador. Tenho saudades de amar em concreto, de me entregar em abstracto. Olho o espelho mais vezes do que o céu. Olhava o céu ontem à noite quando constatei isso. E o céu é tão mais bonito. Sempre perfeito na sua infinidade. Às vezes sinto que nada acrescento a nada. Às vezes sinto falta do nada que acrescentei ao nada e desacrescentei de mim. O céu já era perfeito antes de eu nascer. Às vezes repito a mesma cena, várias vezes, enganando-me sempre na mesma fala. Sinto-me estúpida quando não sou boa. Arrependo-me de não ter pedido desculpa. Não sei o que fazer com o tempo que passa. Há tanto para ser. Todos os domingos são este vazio. Se tivesse talento, escrevia um livro. Se tivesse dinheiro, comprava uma casa no campo e, escrevia um livro, mesmo sem talento. Só porque podia. Só porque quero. Porque agora me sinto preenchida. Depois de despejar letras, sinto-me sempre com menos fome. Saciada, não. Nunca, credo. Sei que a vida é bela e respiro felicidade. Mas o vazio atinge-me como uma verdade que não é triste. Talvez seja o vazio, a fome, a sede, que me une e me separa de todos. Às vezes não sei como é que um pontinho infinito como eu pode causar tanto. Sim, causar, não me enganei na palavra.
Fiz uma pausa para olhar o texto. Está bonito, assim, justificado. Justificação dada.
Fiz outra pausa para ler o texto. É engraçado como sou sempre a mesma quando me entrego ao papel. Fidelidade nas palavras. Não há evolução, não se vê evolução. Não é preciso maquilhagem, nem saltos altos. Não há, não há. Sou a mesma, sou a mesma. Sempre achei que quem sabe pensar, também sabe escrever. Aquele senhor de 80 anos e olhos em água só precisa de um intérprete. A minha vida podia ser tanto. A minha vida pode ser tanto. São só 21h33. Ficaria aqui, neste lugar, entre a minha cabeça, o meu coração e os meus dedos, até às 9h33. Mas a minha vida é tanto. Tanto, tão vazia, tão cheia, tão cinzenta e tão colorida. Mas a tua vida é tanto. Gostava que esse teu tanto não atingisse o meu tanto. Como vidros estilhaçados.

27 Maio 2012

Saudade


Às vezes gostava que estivesses aqui. Espero que estejas bem.
 Iriam chamar-me louca se o dissesse em voz alta mas, a verdade é que, tenho saudades tuas.

Here I go again

Ora bem, tenho andado desaparecida. Falta de tempo, paciência e inspiração. Assim como desapareci, apareço. Sem pensar muito no assunto, só porque me apetece. Entretanto as pessoas que me seguiam também já devem ter desaparecido. 
- É merecido, CurlyGirl, és uma blogger desnaturada!

A verdade é que hoje o meu cabelo começou a arder no meio de uma procissão e eu achei que este facto tinha de ser escrito em qualquer lado. Aqui está para mais tarde recordar. Eu já estive, literalmente, on fire. 

27 Março 2012

26 Março 2012

Demasiada luz

Cada vez que se deitava na cama, a realidade caia-lhe em cima. Como um cobertor de retalhos com um buraco no sítio dos seus pés que, apesar de a tapar, não a mantinha quente. Tentou lembrar-se do momento exacto em que o buraco aparecera. Teria o cobertor sido queimado ou rasgado?

Quando era pequena, tinha uma foca de peluche. Adorava-a. Tinha sido comprada no Zoomarine. Certo dia, quando quis tapar a  luz forte que vinha do candeeiro que estava ao pé da sua cama, colocou a foca à frente. Foi aí que aprendeu que a mesma luz que transforma o preto em branco, também pode transformar o branco em preto. 

Queimado. O cobertor foi queimado. Foi o resultado de demasiada luz numa realidade que já era branca.

Primeiro, fascina. Depois, ofusca. Em seguida, queima. E por fim, dói. 

25 Março 2012

23 Março 2012

A partir de hoje a minha vida vai mudar

Comprei um relógio.
Depois de 21 anos achei que, eventualmente, pode vir a fazer falta.









Nota: Não comentem a beleza do relógio, por favor, isto não é um blog de moda. Morre uma fada de cada vez que se comenta um post destes, em vez de um texto profundo. E eu partilho a dor delas.

As terapias perfeitas para mim

Escrever
Ouvir música
Dançar até à exaustão
Caminhadas à luz do Sol ou na escuridão da noite
Conversas inesperadas

20 Março 2012

19 Março 2012

Ele

(Ler primeiro o texto Ela)

Estava deitado sobre a cama, a pensar no seu dia de trabalho, quando o toque de mensagem fez com que pegasse no telemóvel e lesse "Passas por cá às 22h?". Gostava dela. Para além de ter uma colecção de lingerie de cortar a respiração, era descontraída e a relação não lhe dava problemas. Imediatamente respondeu "Ok. Até já." Olhou para o relógio: 20h45. Levantou-se para ir tomar um duche mas da secretária o Johnny Cash olhou para ele como há muito não olhava, desviando-o do seu propósito. Pegou no CD e leu a dedicatória da capa. Sentiu um aperto no coração e saudades de falar com ela. Nunca lhe tinha dito: Estou apaixonado por ti. Dois anos tinham passado desde então. Dois anos que tinham sido preenchidos de trabalho, relações casuais e viagens. Dois anos felizes e, mesmo assim, às vezes, pegava no telemóvel, percorria a lista e parava no nome dela. Várias foram os dias em que quis partilhar ou saber novidades suas, mas acabava sempre por desistir e carregar na tecla vermelha. Foi até à janela e acendeu um cigarro. Estava uma noite estrelada. Olhou para a caixa de Bittermints e imaginou uma loucura. A luz vermelha ditava: 20h50. Seria tarde?

16 Março 2012

15 Março 2012

Ela

Tapou o batom vermelho, colocou-o sobre a prateleira e reflectiu sobre o seu reflexo. Simples, mas atraente. Ia ser uma boa noite, pensou ela, e instintivamente, esboçou um sorriso malandro. Penetrou o seu próprio olhar e, sem querer, a imagem dele passou-lhe pela cabeça. O olhar mudou. Fechou os olhos e desejou ardentemente que essa mudança nunca tivesse sido perceptível para ele. Nunca lhe tinha dito: Estou apaixonada por ti. Nunca quis acreditar nisso e nunca iria saber se algo teria sido diferente se ela tivesse ousado amá-lo até à loucura. Chegou à loucura, mas não passou pelo amor. Esquivou-se à palavra e ao sentimento e de nada valia pensar sobre isso agora. Alguém que não era ele viria buscá-la às nove horas e ela estaria deslumbrante, pronta para ousar. Analisou os três colares que tinha sobre a mesa e escolheu um. Estava pronta para ser ela. Pronta para conhecer alguém que realmente queria saber dela. Alguém que queria conhecê-la. Por cima do vestido, debaixo do vestido e debaixo de debaixo disso. Lá no fundo, onde ela mesma tinha medo de ir. Pôs os brincos e passou a mão sobre o cabelo. Há meses que não pensava nele e, no entanto, agora não conseguia pensar em mais nada para além disso, do desejo que tinha de não pensar nisso e na estupidez que sentia por possuir tais pensamentos. A cabeça inundada de Se's, quando o único Se racional era o "Se ele fosse outro".  Um Se que era possível e que se ia concretizar naquela noite.
No fundo, ela sabia que partilhava apenas o sentimento de quem amou e não foi amado. Embora achasse que não tinha amado. Não havia novidade naquela pena que sentia por si própria, nem originalidade na sua escrita. Apenas a frustração típica de quem se ama tanto a si mesma que acha impossível que alguém não tenha gostado dela. Alguém a quem ela se deu tanto. Há uma diferença entre quem dá muito, e quem se dá muito. Ele deu, ela deu-se. Seleccionou o perfume consoante as recordações e tentou usá-lo como um insecticida que afastasse o passado. Estava realmente interessada noutra pessoa e as coisas estavam a correr bem. Não podia arruinar tudo agora.
Respirou fundo.
O presente tocou à campainha. Com passos firmes encaminhou-se até à porta e abriu-a. Ele trazia uma caixinha na mão e notava-se que estava nervoso. Ela teve de se concentrar por um instante para perceber quem estava à sua frente e esboçou um sorriso.